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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Omraam Mikhaël Aïvanhov

"O ser humano não se limita ao seu corpo físico: graças aos seus corpos
sutis, ele está ligado a todo o cosmos. Ele vive e vibra com a Alma
Universal, com todas as gerações do passado mais longínquo, está em contato
com o mundo das ideias, dos arquétipos, das leis, das forças e das verdades,
e esse mundo pode se refletir nele sob a forma de imagens, de símbolos.

Quando vocês meditam sobre uma verdade muito elevada que pertence ao plano
causal, ela pode provocar uma reação nas profundezas do seu ser, e nesse
ponto uma forma surge na sua consciência: a de um ser, de um objeto ou de
uma figura geométrica.
É desse modo que se explicam os sonhos premonitórios
e as visões proféticas. Se coubesse a vocês encontrar a correspondência
exata, não seriam capazes disso, pois existem milhares de formas simbólicas.

Só a Natureza conhece a afinidade entre as coisas, e apresenta à sua mente
uma imagem que corresponde absolutamente ao assunto sobre o qual estão
concentrados."

Omraam Mikhaël Aïvanhov


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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lei do menor esforço (no bom sentido)

Texto enviado por email pelo colega de grupo (Edgar Morin) Kleber Araújo. Artigo retirado do blog do Seiji - Compartilhando Idéias, link abaixo:

Deepak Chopra - Sete Leis Espirituais do Sucesso

 


Posto aqui um resumo do livro As Sete Leis Espirituais do Sucesso. A versão do ebook que li está em português de Portugal. Tentei adaptar o estilo para o nosso português à medida do possível, mas se encontrar qualquer ponto onde haja erro por favor me avise. O livro é um grande best-seller e, a meu ver, se baseia em princípios budistas, que são explicados de forma muito didática e simples. Recomendo!

INTRODUÇÃO
A lei consiste no processo pelo qual o não-manifesto se torna manifesto; toda a criação, tudo o que existe no mundo físico, constitui o resultado do não-manifesto transformando-se a si próprio em manifesto. Os três componentes da realidade - alma, espírito e corpo, ou observador, processo de observação e observado - constituem essencialmente a mesma coisa. Todos provêm do mesmo local: o campo da potencialidade pura, que pertence ao campo do não-manifesto puro. Quando compreendemos estas leis e as aplicamos nas nossas vidas, podemos criar tudo o que quisermos, porque as leis que a natureza aplica para criar uma floresta, uma galáxia, uma estrela, ou um corpo humano, são as mesmas que nos podem trazer a realização dos nossos mais profundos desejos.

1. A LEI DA POTENCIALIDADE PURA

Constitui o campo de todas as possibilidades e da criatividade infinita. Quando descobre a sua natureza essencial e sabe quem de fato, nesse conhecimento de si próprio se encontra a capacidade para realizar todos os sonhos. Não há separação entre nós e este campo de energia. O campo da potencialidade pura é o nosso próprio Eu.

A experiência do Eu, ou “auto-referência”, significa que o nosso ponto de referência interior é constituído pela nossa própria alma e não pelos objetos da nossa experiência. Quando experimentamos o poder do Eu, o medo desaparece, deixamos de ter uma necessidade de controle compulsiva e deixamos de lutar pela aprovação e pelo poder externo.

O nosso verdadeiro Eu, que é a nossa alma, encontra-se totalmente liberto destas coisas. É imune à crítica, não teme os desafios, e não se sente inferior a ninguém. E, no entanto, também é humilde e não se sente superior a ninguém, pois reconhece que todos os outros constituem o mesmo Eu, a mesma alma, sob diferentes formas.

O poder baseado no ego só dura enquanto durarem as coisas. Logo que o título, o trabalho, o
dinheiro desaparecerem, também o poder desaparece. O autopoder, pelo contrário, é permanente, porque se baseia no conhecimento do Eu. Atrai as pessoas para nós e também atrai até nós as coisas que desejamos. Este poder faz com que sintamos alegria em nos sentirmos ligados às outras pessoas e elas também sintam alegria em se encontrarem ligadas a nós. Passamos a ter um poder de atração, uma atração que se baseia no verdadeiro amor.

Esta lei é aprendida pela prática diária do silêncio, meditação e não-julgamento. Passar tempo no meio da natureza, reservar algum tempo para Ser apenas. Retire-se periodicamente da atividade da palavra. Reserve com alguma frequência um tempo para o silêncio. Quando o diálogo interior se acalma com o tempo, começamos a experimentar a serenidade do campo da potencialidade pura. A serenidade constitui o primeiro requisito para podermos manifestar os nossos desejos, porque é na serenidade que reside a nossa ligação ao campo da Potencialidade Pura, onde uma infinidade de pormenores se organiza para nós.

O julgamento representa a constante avaliação das coisas como certas ou erradas, boas ou más. Quando se está sempre a avaliar, a classificar, a rotular, a analisar, cria-se uma imensa turbulência no nosso diálogo interior. Experimento praticar: “Durante as próximas duas horas não vou fazer julgamentos sobre nada.” Ou ainda: “Hoje não farei nenhum julgamento sobre nenhuma coisa e durante todo o dia esforço-me por não fazer nenhum julgamento".

Todas as relações constituem um reflexo da sua relação consigo próprio. A culpa, medo e insegurança no que diz respeito ao dinheiro e ao sucesso, ou a qualquer outra coisa,
representa um reflexo da culpa, medo e insegurança que constituem aspectos básicos da sua personalidade. A essência de toda a riqueza material é constituída por energia vital, é
Potencialidade Pura. E a Pura Potencialidade constitui a sua natureza intrínseca. O campo da
Potencialidade Pura também constitui o campo da criatividade infinita e do conhecimento puro.

Mas primeiro terá de ultrapassar a turbulência do seu diálogo interior para estabelecer a ligação com esse espírito abundante, próspero, infinito e criativo. Esta peculiar combinação do espírito silencioso, imenso e infinito com o espírito individual, dinâmico e ilimitado, constitui o
equilíbrio perfeito da serenidade e do movimento simultâneos, que podem criar tudo aquilo que se quiser.

Para praticar a Lei da Potencialidade Pura:
  1. Pratico o silêncio, para Ser apenas.
  2. Todos os dias reservo algum tempo para comungar com a natureza e para testemunhar em silêncio a inteligência que existe em todas as coisas vivas. Sento-me, em silêncio e contemplo o pôr do Sol, escuto o som do oceano ou de um rio, ou aspiro apenas o perfume de uma flor.

2. A LEI DA DÁDIVA

Através da troca dinâmica, dar e receber constituem diferentes aspectos do fluxo de energia do universo. E se estivermos dispostos a dar aquilo que procuramos, a abundância do universo circulará nas nossas vidas, pois o universo opera através da troca dinâmica.

Se a nossa única intenção for guardar e acumular dinheiro, também faremos com que ele deixe de voltar a circular nas nossas vidas, já que o dinheiro constitui energia vital. Na realidade, receber representa a mesma coisa que dar, pois dar e receber constituem diferentes aspectos do fluxo de energia do universo. E se pararmos qualquer destes fluxos, estamos a interferir com a inteligência da natureza. Se, no ato de dar, sentir que perdeu alguma coisa, a dádiva não foi
feita com sinceridade e nada se multiplicará. Se der de má vontade, não haverá nenhuma energia nessa dádiva. A intenção que se encontra por de trás do ato de dar e receber é o mais importante. A intenção deve ser sempre para gerar alegria para quem dá e para quem recebe, para que a felicidade constitua o apoio e o suporte da vida e, portanto, gere o progresso.

A prática da Lei da Dádiva é muito simples: se quer alegria, dê alegria aos outros; se quer amor,
aprenda a dar amor; se quer atenção e apreço, aprenda a dar atenção e apreço; se quer prosperidade material, ajude os outros a tornarem-se prósperos no aspecto material. O modo mais fácil para obter aquilo que queremos é de fato ajudar os outros a obterem aquilo que querem.

Até a ideia de dar, a ideia de abençoar, ou uma simples oração têm o poder de afetar os outros. O melhor meio para pôr em prática a Lei da Dádiva é dar início a todo o processo de circulação, que consiste em tornar a decisão de dar qualquer coisa a cada pessoa com quem entramos em contato. Não tem de ser sob a forma de coisas materiais; pode ser uma flor, um cumprimento, uma oração, Na verdade, as mais poderosas formas de dar não são Materiais. O carinho, a atenção, o afecto, o apreço e o amor constituem algumas das mais preciosas dádivas que se podem oferecer e não custam nada. Derrame uma bênção sobre essa pessoa, desejando-lhe felicidade, alegria e prazer. Tome a decisão de dar, para onde quer que vá, ou quem quer que vá visitar.

Portanto, aceitemos a prosperidade como inerente à nossa natureza, independentemente de
termos pouco ou muito dinheiro, pois o campo da potencialidade pura constitui a fonte de toda a riqueza.

Para praticar a Lei da Dádiva:
  1. Levo comigo uma oferta. A oferta pode ser um cumprimento, uma flor ou uma oração. Hoje vou oferecer qualquer coisa a todos aqueles com quem encontrar.
  2. Hoje receberei com gratidão todas as dádivas que a vida me ofertar. A luz do Sol, o canto das aves.
  3. Comprometo-me a manter a riqueza a circular na minha vida, dando e recebendo as mais preciosas dádivas da vida: dádivas de carinho, afeto, apreço e amor. Sempre que encontrar alguém, desejar-lhe-ei, em silêncio, felicidade, alegria e prazer.

3. A LEI DO “KARMA” OU DA CAUSA-EFEITO

O karma implica a ação da escolha consciente. Todas as coisas que lhe acontecem no momento presente resultam das escolhas que fez no passado. Eu poderia ofendê-lo e insultá-lo e você poderia escolher não ficar ofendido. A maioria de nós, como resultado do condicionamento, responde de formas repetitivas e previsíveis aos estímulos do ambiente. Nestas situações, pergunte-se: "Quais são as consequências desta escolha que estou a fazer? Esta escolha que estou a fazer trará alegria, a mim e aos que me rodeiam?” Se a escolha trouxer angústia, a si ou aos que o rodeiam, diga não a essa escolha.

Pergunte-se também: “Se é isto, o que é que vai acontecer?" Se o seu corpo der uma mensagem de conforto, você se encontra perante a escolha correta. Se o seu corpo emitir uma mensagem de
desconforto, encontra-se perante a escolha errada. Volte a sua atenção para o coração e pergunte-lhe o que deve fazer. Depois, espere pela resposta, uma resposta física sob a
forma de sensação.

O seu futuro é gerado pelas escolhas que fizer em cada momento da sua vida. Você pode, assim, transformar o seu karma numa experiência melhor. Pergunte-se: “Posso eu aprender com esta experiência? Porque isto está acontecendo comigo? Que mensagem o universo quer me transmitir? Como posso tornar esta experiência útil para os outros seres humanos?”

Além disso, para transcender o karma, existe a prática da meditação.

Para praticar a Lei do Karma:
  1. Hoje vou observar cada escolha que fizer. Trago-as para o campo do meu conhecimento consciente.
  2. Sempre que fizer uma escolha, farei duas perguntas a mim próprio: “Que consequências advirão desta escolha?”, “Esta escolha trará realização e felicidade, a mim e aos que por ela serão afetados?"
  3. Depois pedirei conselho ao meu coração e deixar-me-ei conduzir pela sua mensagem de conforto. Se a escolha significar conforto, adiro totalmente a ela. Se a escolha implicar desconforto, paro e observo as consequências da minha ação, por meio da minha visão interior.

4. A LEI DO MENOR ESFORÇO

Este é o princípio da mais reduzida ação, da não resistência, da harmonia e do amor. As aves não tentam voar, mas voam. Quando uma pessoa se encontra em harmonia com a natureza, quando já adquiriu conhecimento do seu verdadeiro Eu, pode aplicar a lei do Menor Esforço. Despendemos o menor esforço quando as ações são motivadas pelo amor, porque a natureza é estruturada pela energia do amor.

Para satisfazer o ego, gastamos energias atrás de uma ilusão de felicidade, em vez de desfrutarmos da felicidade do momento. Quando procuramos dinheiro apenas para nosso lucro pessoal, interrompemos o nosso fluxo de energia e interferimos na expressão da inteligência da natureza. Se souber como gerar, armazenar e desprender energia de modo eficiente, poderá criar toda a riqueza que quiser.

Quando o nosso ponto de referência interior é o ego, quando procuramos poder e controle em relação às outras pessoas ou a aprovação dos outros, desperdiçamos as nossas energias. Gastamos a maior parte da nossa energia para preservarmos a nossa importância.

A Lei do Menor Esforço possui três componentes:

  1. Capacidade de aceitação. Pratique: “Hoje vou aceitar as pessoas, as situações, as circunstâncias e os acontecimentos tal como eles ocorrerem.” Esse momento é como é, porque todo o universo é como é. Pode desejar que no futuro as coisas sejam diferentes, mas nesse momento tem de aceitar as coisas como elas são. Quando se sentir frustrado ou aborrecido por uma pessoa ou situação, lembre-se de que você não está reagindo a essa pessoa ou a essa situação, mas aos seus sentimentos em relação à pessoa ou à situação. Esses são os seus sentimentos e os seus sentimentos não são da responsabilidade dos outros. Aceite a responsabilidade por aquilo que sente e por modificar os seus sentimentos.
  2. Responsabilidade. Não culpar ninguém, nem a si próprio, pela sua situação. Isto liberta a capacidade de ter uma resposta criativa à situação tal como ela se apresenta no momento. As situações problemáticas poderão se tornar uma oportunidade para a criação de coisas novas e boas, e todas as pessoas atormentadoras e tiranas lhe servirão para aprender mais a realidade e construir uma interpretação. Sejam quais forem as relações que tenha trazido para a sua vida, serão sempre aquelas de que necessita no momento. Há um significado oculto por trás de tudo o que acontece, e esse significado oculto serve a nossa evolução.
  3. Distanciamento. Renunciar à necessidade de convencer ou persuadir os outros dos seus pontos de vista. Assim, você ganhará acesso a imensas quantidades de energia que antes tinham sido desperdiçadas. Quando alguém se torna defensivo, acaba colocando a culpa nos outros e não aceita render-se ao momento presente. Sua vida encontra resistência. Sempre que encontrar resistência, o melhor é reconhecer que forçar a situação apenas aumentará a resistência.

Quando conseguir a delicada combinação aceitação, responsabilidade e distanciamento, sentirá o fluir da vida, sem nenhum esforço. Se nos mantivermos abertos a todos os pontos de vista, se não
nos prendermos com rigidez a um único, os nossos sonhos e desejos fluem com os desejos da natureza. Então podemos libertar as nossas intenções, com distanciamento, e esperar pela altura própria para os nossos desejos se tornarem realidade. Podemos ter a certeza de que quando chegar o momento eles se manifestarão. Esta é a Lei do Menor Esforço.

Para praticar a Lei do Menor Esforço:
  1. Hoje aceito pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrerem. Reconhecerei que este momento é aquilo que deveria ser, porque todo o universo é como deveria ser.
  2. Sei que aceitar a responsabilidade significa não culpar ninguém, nem nada, pela minha situação (incluindo eu próprio). Também sei que em cada problema se encontra oculta uma oportunidade e o fato de me manter atento às oportunidades me permite aceitar o momento presente e torná-lo melhor.
  3. Não sentirei necessidade de convencer nem de persuadir os outros a aceitarem os meus pontos de vista. Permanecerei aberto a todos os pontos de vista e não me prenderei com rigidez a nenhum deles.


5. A LEI DA INTENÇÃO E DO DESEJO

São componentes essenciais a energia e a informação. Aquilo que faz a diferença entre o ser humano e a árvore reside na energia e na informação. Podemos conscientemente mudar o conteúdo de informação e energia do nosso próprio corpo mecânico quântico e assim influenciar o conteúdo de energia e informação da extensão do nosso corpo - o nosso ambiente, o nosso mundo - e provocar nele a manifestação das coisas.

A atenção e a intenção. A atenção transmite energia e a intenção transmite forma. Damos força a todas as coisas da nossa vida às quais aplicamos a nossa atenção. A intenção, por sua vez, desencadeia a transformação da energia e da informação. A intenção organiza a sua própria realização. Ela possui o poder de organizar uma infinidade de ocorrências espaço-temporais, todas ao mesmo tempo. Por outras palavras, se não violarmos as outras leis da natureza, através da intenção poderemos literalmente comandar as leis da natureza, de forma a realizarmos os nossos sonhos e desejos.

O nosso único cuidado deverá ser utilizar a intenção para o benefício da espécie humana. Isso
acontecerá espontaneamente, se cumprirmos as Sete Leis Espirituais do Sucesso. A intenção constitui o verdadeiro poder por trás do desejo. A intenção, só por si, é muito poderosa, pois ela consiste no desejo, sem a preocupação do resultado. O desejo, só por si, é fraco, já que para a
maioria das pessoas o desejo consiste na atenção ligada à preocupação. A intenção consiste no desejo, cumprindo estritamente todas as outras leis, mas em especial a Lei do Desprendimento, que constitui a Sexta Lei Espiritual do Sucesso. A intenção combinada com o desprendimento
conduz a um conhecimento do momento presente centrado na vida. E quando a ação se realiza no âmbito do conhecimento do momento presente, torna-se mais eficaz. A nossa intenção dirige-se ao futuro, mas a nossa atenção encontra-se no presente, a nossa intenção para o futuro virá a manifestar-se, porque é no presente que se cria o futuro. Devemos aceitar o presente tal como é. Aceitemos o presente e criemos intenções para o futuro. O futuro constitui algo que podemos
sempre criar através da intenção desprendida, mas nunca devemos lutar contra o presente. Se possuir um conhecimento do presente centrado na vida os obstáculos imaginários, que constituem mais de noventa por cento dos obstáculos conhecidos, desintegram-se e desaparecem.

A intenção dirigida significa que aplicamos a nossa atenção no sentido de obter o resultado que desejamos com uma firmeza de objetivos tão inflexível que recusamos em absoluto qualquer obstáculo que possa consumir e dissipar a qualidade focalizada da nossa atenção. Na nossa
consciência, dá-se uma exclusão total e completa de todos os obstáculos. Somos capazes de manter uma serenidade inabalável, ao mesmo tempo em que nos entregamos ao nosso objetivo com uma paixão intensa.

Cinco princípios para a Lei da Intenção e do Desejo:
  1. Concentrar-se no espaço silencioso entre os pensamentos, entrar no silêncio.
  2. Quando sair da abertura, na junção entre a abertura e um pensamento, a intenção é introduzida. Se tiver diversos objetivos, escreva-os e focalize neles a sua intenção, antes de entrar na abertura. Se desejar uma carreira de sucesso, por exemplo, entre na abertura com essa intenção e a intenção já lá estará, como uma tênue luz de conhecimento. Espere que floresçam quando chegar a estação. Não deve escavar para ver se as sementes dos seus desejos estão a crescer, nem deve prender-se muito para ver como elas se vão desenvolver. A única coisa que deve fazer é libertá-las.
  3. Mantenha-se no estado de auto-referência. Não deve olhar para si próprio através dos olhos do mundo, ou deixar-se influenciar pelas opiniões e críticas dos outros. Um bom meio para manter esse estado de auto-referência é guardar os seus desejos para si próprio; não os partilhe com mais ninguém, a menos que sejam pessoas que tenham exatamente os mesmos desejos que o leitor e estejam muito ligadas a si.
  4. Renuncie à preocupação com os resultados. Não se deve prender muito à expectativa de um resultado específico, mas sim viver com o conhecimento da incerteza, desfrutar todos os momentos da sua vida, mesmo desconhecendo os resultados.
  5. Confie no poder organizador infinito da intenção. Aceitarei o presente tal como é e deixarei que o futuro se revele através dos meus desejos e intenções mais profundos.

Para praticar a Lei da Intenção e do Desejo:
  1. Faço uma lista de todos os meus desejos. Trago sempre comigo esta lista, para onde quer que vá. Leio sempre esta lista antes de entrar em silêncio e meditação. Também a leio antes de ir dormir, à noite. Volto a lê-la ao acordar de manhã.
  2. Entrego e submeto esta lista de desejos ao movimento da criação, confiando que quando as coisas não parecerem conformes aos meus desejos há uma razão para isso e que o plano cósmico possui para mim desígnios ainda mais grandiosos do que aquilo que eu alguma vez imaginei.
  3. Praticar o conhecimento do momento presente em todas as minhas acções.


6. A LEI DO DESPRENDIMENTO

Para adquirirmos qualquer coisa no universo físico temos de renunciar à nossa ligação a ela. Não devemos desistir da intenção, nem devemos desistir do desejo. Devemos desistir da nossa ligação ao resultado. Isto se baseia na fé inquestionável.

A ligação ao resultado baseia-se no medo e na insegurança. E a necessidade de segurança baseia-se no fato de não conhecermos o nosso verdadeiro Eu. É a consciência que sabe como realizar todas as necessidades. Tudo o mais constitui um símbolo: carros, casas, contas bancárias, roupas e aviões. Sem o desprendimento, tornamo-nos prisioneiros de necessidades mundanas desesperadas e impossíveis, preocupações triviais, desespero passivo e tristeza. A verdadeira consciência da riqueza consiste na capacidade para obtermos aquilo que queremos, quando quisermos, e com um mínimo de esforço. Aqueles que procuram segurança perdem-na para sempre e nunca a encontram. O desejo de segurança constitui uma ilusão.

O desejo de segurança e certezas, na verdade, constituem uma ligação ao conhecido. O conhecido é o nosso passado. Não há evolução, surge a estagnação, a entropia, a desordem e a decadência. A incerteza, por sua vez, constitui o solo fértil da criatividade e da liberdade puras. A incerteza significa entrar no desconhecido em cada momento da nossa existência. O desconhecido constitui o campo de todas as possibilidades, sempre vivas, sempre novas, sempre abertas à criação de novas manifestações. Sem a incerteza e o desconhecido, a vida consiste apenas na repetição
obsoleta e desgostosa de memórias. Tornamo-nos vítimas do passado - aquilo que vivemos ontem é o que nos atormenta hoje. Renuncie à sua ligação com o conhecido, entre no desconhecido e entrará no campo de todas as possibilidades.

Todos os dias pode procurar a emoção daquilo que virá a ocorrer no campo de todas as possibilidades. Quando tiver a experiência da incerteza, encontra-se no caminho certo, por isso não desista. Quando nos deixamos prender, retiramos ao desejo a sua infinita flexibilidade e fluidez, encerrando-o numa moldura fixa, que interfere com todo o processo de criação. Entre
o ponto A e o ponto B há uma infinidade de possibilidades. Tendo interiorizado o elemento da incerteza, podemos mudar de direcção em qualquer momento, se encontrarmos um ideal mais elevado ou uma coisa mais emocionante. Também nos encontramos menos dispostos a forçar as
soluções para os problemas e isso permite nos manter atentos às oportunidades. Pode ver cada problema da sua vida como uma oportunidade para um benefício maior, pode manter-se atento às oportunidades baseando-se no conhecimento da incerteza. Se estiver preparado e a oportunidade surgir, a solução aparecerá espontaneamente. Designa-se isso muitas vezes como “boa sorte”.

Para praticar a Lei do Desprendimento:
  1. Entro no campo de todas as possibilidades e antecipo a emoção que pode ocorrer se eu me mantiver aberto às escolhas.
  2. Hoje vou praticar o desprendimento, a liberdade de sermos como somos. Não imporei ideias rígidas sobre como as coisas deveriam ser. Não forçarei soluções para os problemas, pois isso criaria novos problemas. Participarei em tudo com um envolvimento desprendido.
  3. Hoje interiorizo a incerteza como um ingrediente essencial da minha experiência. A minha boa vontade para aceitar a incerteza fará com que as soluções surjam, espontâneas. Quanto mais incertas as coisas parecerem, mais seguro me sentirei, porque a incerteza é uma fonte inesgotável.


7. A LEI DO “DHARMA" OU DA FINALIDADE DA VIDA

Há alguma coisa que conseguimos fazer melhor do que qualquer outra pessoa no mundo e cada talento específico, com a sua forma singular de se exprimir, também requer necessidades especiais. Quando essas necessidades se combinam com a expressão criativa do nosso talento,
gera-se a centelha que dá prosperidade. "Cada um de vós possui um talento especial que ninguém mais possui e cada um de vós tem uma maneira especial de exprimir esse talento, que
também ninguém mais possui.” A vida das pessoas prósperas focaliza-se naquilo que devem dar para cumprir a razão da sua existência aqui.

São três os componentes da Lei do Dharma.

Cada um de nós se encontra aqui para descobrir o seu verdadeiro Eu. Somos seres espirituais que têm experiências humanas ocasionais. Temos de descobrir por nós mesmos o deus ou a deusa em embrião que existe dentro de nós e deseja revelar-se, para podermos exprimir a
nossa divindade.

Exprimirmos os nossos talentos especiais. Todos possuímos um talento cuja expressão é de tal modo singular que não existe mais ninguém vivo no planeta que possua esse talento ou essa forma de o exprimir. Quando está fazendo isso, perde a noção do tempo.

Vontade de servir a Humanidade. Servir os outros seres humanos é perguntar “Como posso eu
ajudar? Como posso ajudar aqueles que me rodeiam?” Através da simples substituição, no nosso diálogo interior, da pergunta “O que posso eu obter?” pela outra “Como posso eu ajudar?”, passamos logo do plano do nosso ego para o domínio da nossa alma.

A primeira regra é: Vou tentar descobrir o meu eu superior, que se encontra para além do meu ego, através da prática espiritual.

A segunda regra é: Vou descobrir os meus talentos especiais e, depois de os descobrir, vou entrar em estado de felicidade, pois o processo de felicidade ocorre quando adquiro o conhecimento do eterno. Nesse momento, entro em estado de beatitude.

A terceira regra é: Vou perguntar a mim mesmo quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade. Vou responder a essa pergunta e depois pôr em prática a atitude. Vou utilizar os meus talentos especiais para servir as necessidades dos outros seres humanos, vou
combinar essas necessidades com o meu desejo de ajudar e servir os outros.

Se o dinheiro não fosse uma preocupação para si e se tivesse todo o tempo e dinheiro do mundo, o que faria? Se pensa que continuaria a fazer aquilo que faz no momento, isso significa que se encontra em dharma, porque tem uma paixão por aquilo que faz - exprime os seus talentos especiais. “Quais as minhas melhores qualidades para servir a Humanidade?” Responda à pergunta e ponha a atitude em prática. Quando as suas expressões criativas responderem às necessidades dos outros seres humanos, a riqueza fluirá espontaneamente do não-manifesto para o manifesto, do âmbito da alma para o âmbito da forma.

Para praticar a Lei do Dharma:
1. Hoje vou dar toda a atenção e amor ao deus ou deusa em embrião que se oculta no mais fundo da minha alma.
2. Faço uma lista dos meus talentos especiais. Depois faço uma lista de todas as coisas de que gosto de fazer quando exprimo os meus talentos especiais. Exprimindo os meus talentos especiais e utilizando-os a serviço da Humanidade, perco a noção do tempo e crio abundância na
minha vida, assim como na vida dos outros.
3. “Como posso eu servir?” e “Como posso eu ajudar?”. As respostas a estas questões vão permitir-me ajudar e servir os outros seres humanos com amor.

A SEQUÊNCIA

Na vida cotidiana, a aplicação destas leis obedece a uma sequência natural que pode ajudá-lo a lembrar-se delas. A Lei da Potencialidade Pura pratica-se através do silêncio, da meditação, do não-julgamento, da comunhão com a natureza, mas é ativada por meio da Lei da Dádiva. Aqui o princípio consiste em aprender a dar aquilo que deseja para si. Assim ativa-se a Lei da Potencialidade Pura. Se deseja prosperidade, ajude os outros a serem prósperos; se procura dinheiro, dê dinheiro aos outros; se procura amor, apreço e afeto, aprenda a dar aos outros amor, apreço e afeto. Através das suas acções, quando aplica a Lei da Dádiva, ativa a Lei do Karma. Pode criar um bom karma e um bom karma torna a vida fácil. Verá que não precisa despender grandes esforços para realizar os seus desejos, o que conduz logo à compreensão da Lei do Menor Esforço. Quando tudo parece surgir com facilidade e sem esforço e os seus desejos continuam a realizar-se, começa a perceber espontaneamente a Lei da Intenção e do Desejo. A realização dos seus desejos com um mínimo de esforço torna quase natural para si a prática da Lei do Desprendimento. Por fim, como começa a perceber todas as leis anteriores, passa a focalizar-se na sua verdadeira finalidade na vida, chegando assim à Lei do Dharma. Por meio da aplicação desta lei, em que exprime os seus talentos especiais e realiza as necessidades dos outros seres humanos, começa a poder criar tudo aquilo que quiser, sempre que quiser. Torna-se despreocupado e feliz e a sua vida passa a constituir a expressão do amor ilimitado.

Esse texto é redirecionado para um outro blog quando clica no link (acima da foto) Meus agradecimentos ao autor que compartilhou conosco um resumo do que aprendeu.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bebendo nas fontes Logosóficas

A confiança em si mesmo

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
 
Sempre se viu, por exemplo, a muitos decidirem empreender uma obra, grande ou pequena, e mais tarde abandoná-la pela metade, amiúde para empreender outra, ou outras, que também ficam truncadas, sem que exista uma explicação que justifique essa mudança de conduta, adotada, precisamente, para modificar as próprias decisões.
Pois bem; isso obedece, na maioria dos casos, à insegurança dos pensamentos alojados na mente; e se há tal insegurança, logicamente é porque eles não são fruto da concepção própria. Pensamentos de toda índole desempenham ali um papel preponderante, sendo muitos deles, às vezes, alheios aos motivos de preocupação em que o ser se acha absorvido.
Querer é poder quando o que se quer se sente profundamente

Ao contrário disso, quando se empreende uma obra e ela é levada a bom termo, é porque as reflexões foram bem amadurecidas antecipadamente, e a inteligência favoreceu o projeto graças à esmerada elaboração do plano a ser realizado. Em tais circunstâncias, o ser pode ter confiança e segurança nas diretrizes próprias, e dificilmente acontecerá que deva abandonar o trabalho começado, desde que antes de iniciá-lo tenha tomado, repetimos, todas as medidas que possam contribuir para assegurar o êxito na empresa.
Muitas vezes, um simples desejo mental, promovido por um ou outro pensamento, leva o homem a realizar coisas que, por não haverem sido devidamente pensadas, fracassam quase em seu início.
O pensamento executor de uma obra deve ter, necessariamente, raízes na consciência, pois é dela que o ser haverá de se valer toda vez que se sentir debilitado.
Diante do que ficou dito, temos de admitir que os mais capacitados são os que triunfam, levando seus projetos a uma feliz culminação. A capacidade compreensiva é, pois, imprescindível em todos os atos do pensamento, e é para ela que a vontade deve sempre apelar, a fim de não se debilitar em plena ação.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 1 p. 137 e 138 

domingo, 16 de maio de 2010

Um amor altruísta

Luana Nueva no dia 16 de maio escreveu para o Luan de Verano as seguintes letras:



 Amor,

Ainda sinto como se vc tivesse aqui! Foi maravilhoso estar mais uma vez com você. Te amo e não importa os caminhos que tenhamos no futuro, sinto que nosso amor por ser puro e sincero será sempre forte e presente.
Nosso sentimento liberta e não aprisiona.
Te conheci numa época em que graças à você pude enxergar muitas coisas na minha vida. Tenho muito o que te agradecer - você apareceu e cumpriu uma missão fundamental. Obrigada!!
Ninguém nunca vai entender nossa relação, não temos ciúmes maligno, fazemos o oposto , hoje percebi isso, vc sempre me diz que não pode exigir nada de mim e ao mesmo tempo sabemos que nos amamos, que somos conforto um pro outro, isso é altruísta! É grande! É superior ao amor terreno, da possessão, dos joguinhos...

Te adoro tanto...
Te amo tanto....
Te quero feliz!
Te quero sempre por perto mesmo que em pensamentos, no virtual e no coração.

Meu anjo.

Beijos com afeto,

"Seu anjo".


 O amor transforma, o medo aprisiona, coragem é vontade, covardia é deslealdade, liberdade é o que mantém a integridade e compreensão é sinônimo de respeito.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sensível, profundo e racional

Sempre recebo os ótimos textos da Flávia, estudante de Logosofia, escolhi este para publicar. Sensível, profundo e também racional.


No livro da nossa vida é narrada a história
Que vamos escrevendo com a nossa conduta
Somos responsáveis pelos fracassos e vitórias
Obtidos com a coragem empregada em cada luta

Quando aprendemos a aproveitar as oportunidades
Passamos a ser os causadores da nossa própria sorte
E descobrimos que é somente com as adversidades
Que alguém pode se tornar uma pessoa forte

Sem experimentar a amargura do sofrimento
Não seria possível descobrir o imenso valor
Que reside em cada minúcia de um momento
Vivido com alegria, ternura, serenidade e amor

É apenas passando por uma queda, perda ou desvio
Que se abre em nós o espaço para algo novo se alojar
E assim entendemos que a partida que causou o vazio
Também foi a que permitiu uma coisa melhor chegar

A vida não é estática, é uma obra eterna, continuada
Ela é permanente atividade e movimentação
E a felicidade não está só no final de sua jornada
Mas ao longo de toda a sua infindável extensão
Flavia Santos
22.02.2010

Aberto grupo de estudos do pensamento complexo / 2010 - Edgar Morin

Grupo de Estudos sobre o Pensamento Complexo


“O que é a complexidade? A um primeiro olhar, a complexidade é um tecido (complexus: o que é tecido junto) de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas: ela coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Num segundo momento, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico. Mas então a complexidade se apresenta com os traços inquietantes do emaranhado, do inextricável, da desordem, da ambigüidade, da incerteza...”
Edgar Morin





 O Grupo de Estudos sobre o Pensamento Complexo tem como objetivo conhecer e estudar as obras e os pensadores do campo da complexidade. Nesse semestre nos dedicaremos ao estudo do livro O Método 6: Ética, de Edgar Morin. Nas palavras do autor, “o pensamento complexo é o pensamento que religa. A ética complexa é a ética da religação: religar-se aos nossos; religar-se aos outros; religar-se à Terra-Pátria. A ética é complexa por ser, ao mesmo tempo, una e múltipla. Unifica no seu tronco comum e diversifica nos seus ramos distintos, auto-ética, sócio-ética, antropoética. Nessa unidade/pluralidade, a ética complexa ordena que assumamos eticamente a condição humana. Assim, ordena que assumamos eticamente a tríade humana indivíduo/sociedade/espécie; a triunicidade psíquica pulsão/afetividade/razão; as antinomias sapiens/demens, faber/mitologicus, economicus/ludens, prosaicus/poeticus.”

Coordenação: Prof. Sydney Cincotto Junior
Mestre em Ciências Sociais / Antropologia – PUC/SP
Professor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Unisuam
Membro Fundador do Instituto de Estudos da Complexidade - IEC

Início: 12 de março de 2010
Horário: Sextas-feiras, de 14:30 às 16:30 h
Local: CÁTEDRA UNESCO DE LEITURA, no Campus da PUC-Rio
Informações: jrcincotto@hotmail.com
e Cátedra UNESCO de Leitura: (21) 3527-1960

Entrada Franca

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

(des) confiança


Dizem os mais vividos que antigamente a palavra dita valia tanto quanto um contrato com firma no cartório. Saudosista fico quando penso nessa longínqua realidade à qual não pertenci. Não posso falar desse passado não vivido com propriedade, seria uma pretensão hipócrita, forçada, mas posso sim falar o que sinto hoje, posso tentar explicar essas mil nuances de sentimento, razão, valor e dúvidas que conversam no meu interno viajando como um trem bala, forte e ágil, da maciez da sensibilidade aos ruídos pontiagudos do racionalismo.
Em mil voltas, norteada pela subjetividade crítica que me impede soluções rasas, sigo com meu prisma, observando as relações deste meu mundo.
Paralisa-me quando deparo com a surpresa ruim (que gera uma sensação gástrica-soco-no-estômago) que a decepção que o confiar trás, quando há a tal reversão de expectativa (sinto o gosto amargo da frustração, pior inimiga da alegria e espontaneidade).
Pergunto o que é mais importante que a lealdade? E para mim? Serão os tratos, a palavra dita ou as promessas?
A resposta vem intuitivamente e antes de eu começar a masturbação mental que disseca até provar, freio o movimento e me questiono com ar debochado se sou uma infeliz-sábia ou uma feliz-ingênua, que se esqueceu de “evoluir”, e por isso não se sente a vontade no ano de 2009, ou sou caprichosa e pensar nisso tudo não passa de arrogância minha? Escapo a pergunta, não quero abrir mais janelas...
Volto ao ponto, a confiança, tento resumir e emerge um questionamento... Os mais desprovidos de malícia se tornam blindados? A inveja, insegurança e recalques camuflados podem se tornar traição? Porque resistimos aos jogos de controle e poder que manipula e persuade?Porque a mulher confia menos nas amigas que o homem nos amigos? O dinheiro/poder corrompe as relações? Não consigo concluir esses pensamentos com nenhum clarão, mas no fim penso naqueles que desolados contam seus segredos às paredes surdas e desejo aos que sentem, que sejam tão otimistas quanto pareço ser, a não ser que eureka se faça e mesmo que sintam não reprimam.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009




Refletir quer dizer, ao mesmo tempo: a) pesar, repesar, deixar descansar, imaginar sob diversos aspectos o problema, a idéia; b) olhar o seu próprio olhar olhando, refletir-se a si mesmo na reflexão. É preciso alimentar o conhecimento com a reflexão; é preciso alimentar a reflexão com o conhecimento. - EDGAR MORIN.
Episteme Íntima
Após meu grupo de estudos sobre o pensamento complexo fui direto para minha habitual tertúlia cujo tema Logosófico muito se assemelhava aos fundamentos da complexidade.
No caminho para casa encontrei uns amigos músicos. Falavam de coisas interessantes e logo caímos em temas que nortearam meu dia de estudos, o que me fez refletir sobre o pensamento como “entidade autônoma que passa de uma mente para outra” (Pecoche). No dia seguinte de manhã fui para a Pós-Graduação e o professor de sociologia se apresentou, falou, falou e em seu discurso vi mais fragmentos de tudo que eu havia absorvido naquelas horas anteriores (ele até citou Morin!)
Esses “coincifatos” pretendo partilhar aqui. Quero ser breve mas dada a complexidade do tema, então sem redução .
Sobre a comunicação
A comunicação é falha. Sim claro, nosso universo interior se difere dos demais, (embora existam as afinidades). Criação, cultura, língua, forma de expressar, perfil psicológico etc são alguns dos fatores que sustentam meu argumento. O que é um fato para nós pode ser incompreensível para o outro. Tendemos a julgar nós mesmos pelas nossas intenções passando por cima dos resultados de nossos atos – fato este que nos leva a ser auto- tolerantes. Por outro lado costumamos julgar o outro não pelas suas intenções, (que nem sempre sabemos) mas pela sua conduta. Aqui nem sempre somos tolerantes.
Ocorre que por uma ordem natural e lei de correspondência estamos suscetíveis a pisar em ovos, gerar cautela e desconfianças, não ficamos à vontade para conversar de forma espontânea sobre nossas intenções.
Se avalio o outro pelo seu comportamento, é claro que ele me julgará do mesmo modo.
O resultado dessa falta de liberdade interna e do pensar limita nossas percepções e reforça a desconfiança, aumenta o nível de cobranças e dificulta a tolerância. Passamos a reagir ao invés de interagir.
Esse padrão talvez seja modificado se soubermos lidar com essa dificuldade instituída culturalmente onde falar com liberdade e sinceridade teria que ser o ponto de partida para uma nova ética cujo objetivo seja o da troca de intenções e não dos meios de ocultá-las (inclusive para a troca do negativo ou crítica construtiva).
Saber perguntar
Se nós percebemos o mundo segundo uma lógica estrutural interna, saber comunicar significa perguntar. Na nossa cultura ocidental o diálogo se torna uma competição comumente (quem fala melhor, argumenta, envolve e assim por diante). Geralmente achamos que formulamos bem uma questão quando deixamos o outro “vazio”, isto é, quando o outro embaraçado e acuado, não consegue raciocinar com clareza ficando em dificuldade para rebater. Sentimos-nos vitoriosos quando conseguimos o que significa um triunfo no contexto citado.
A ordem das coisas aqui está toda errada. Não usamos a linguagem para aprender ou trocar e sim para “vencer” um debate. Indo um pouco além, diria que saber fazer perguntas é também saber o que levará a aprender algo e modificar. Nesse sentido saber questionar é saber receber algo de quem se pergunta e dar oportunidade de transformar sua estrutura. Por uma questão lógica saber ensinar é saber propor questões mobilizadoras que produzem expectativa diante da resposta , é por isso que saber questionar remete a saber ouvir, pois não há indagações adequadas sem a expectativa e preparação de receber o retorno.
Se nós somos parte de um todo, somos o mundo. Quando fazemos uma pergunta o mundo do receptor se abre (não para desafiá-lo) para proporcionar a oportunidade de mudanças. Assim, conversar com o outro significa que o mundo esta conversando consigo próprio por nosso intermédio. Portanto, estar-com, econtrar-se, religar-se são sinônimos de conversar.
A linguagem proporciona modificações internas, é sabido que muitas dimensões de nossas interações são em níveis inconscientes. Para trazer esses níveis a superfície, a conversação é indispensável e trazer implica poder avaliar e analisar proporcionando escolhas: o principal, pois coordena e organiza nosso comportamento que ao ser relatado contribui para as modificações.
Sobre o amor
Se o inferno são os outros, a felicidade também o é, logo; se não existe inferno sem os outros, também não há felicidade sem eles. Já nascemos sabendo amar, os animais são a prova disso. Apesar de sermos educados nesse sentido, ao crescer somos obrigados a enfrentar uma cultura oposta a tudo isso. Desaprendemos o que é amar com as racionalizações, ideologias e o conformismo individualista, cuja estratégia é transformar o amor em algo inalcançável, raro e por isso muito valorizado numa visão mercadológica. Dizem os sociólogos que as relações hoje em dia não vão para frente por força do mercado que lucra com separações, afirmam que o indivíduo que doa amor e não recebe de forma recíproca tende a voltar a doação desse amor (atenção, carinho cuidado energia...) para si próprio. Isso estimula o consumo de bens, produtos e serviços, pois tal ser começa a ficar mais vaidoso e festivo e acelerar os gastos suprindo o vazio e buscando se sentir mais seguro e poderoso para as futuras investidas na busca pelo amor (sentimento este que o homem não vive sem). Concordo com esses sociólogos e acrescento; se buscamos no outro fragmentos de nós mesmos e do mundo, se por meio do outro é possível ampliar e transcender as limitações de nós mesmo e da solidão existencial, afirmar que o amor é uma dimensão biológica, psico ou neuroquímica é uma redução.
Em tempo: Pelo menos consegui terminar o texto com a (palavra) redução.
Janara Morenna - Rio, 07/09/09.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O ponto interior que muda nossa vida.

Esse vídeo mostra como o respeito por nós mesmos muda a percepção geral da vida. Quando ampliamos nossos esforços em prol de propósitos de bem nós evoluímos!
A descoberta desse ponto que move energias internas é estímulo fundamental para quem almeja fazer de suas vidas um livro, cujo as descobertas diárias, forjam um destino melhor. Quem não quer escolher seu próprio destino?




domingo, 9 de agosto de 2009

Aranha sapiente


Adoro metáforas. Ouvi dizer que Platão sempre as usava, porém aqui, acho que transcendi à alegoria - a metáfora foi a própria figura central.

Aranha sapiente

Ali no parque Lage do Rio de Janeiro, saí da aula de pintura e decidi dar uma andada pela natureza. Fui observando as borboletas, gatos, plantas e o vento.
Resolvi focar a visão nos detalhes e avistei uma pequenina aranha que nunca tinha visto. Parecia antiga, era esquisita, tinha longas pernas e um corpo em forma de bola (bem grande para as perninhas finas).
Dentro do parque Lage, tudo permanecia harmonioso; plantas e animais eram mantidos. Do lado de fora um barulho ensurdecedor, duas vias congestionadas, carros gritando com suas buzinas, stress, todo tipo de poluição ou seja, um caos.
Sentei no chão e comecei a reparar em como fazia o ser de milhões de anos. Em ritmo constante tecia com precisão milimétrica a teia que media umas 50 x seu tamanho. Cada perna fazia mil movimentos simultâneos e a genial construção ia se formando.
Reflexiva, fiquei ali parada pensando no contraste de um ser tão antigo com o mundo moderno, separados apenas por um muro de concreto.
Ela não parava – eu pensava; Tantos já desistiram da vida e de lutar pelo que acreditam com suas crenças de que o mundo os engolirá... E lá estava a aranha esquisita.
Não parecia se preocupar se algum inseto cairia em sua teia, simplesmente fazia sua parte desprezando a agitação lá fora ou minha presença; estava absorvida pela tarefa. Pode ser que nenhum inseto caia na armadilha, mas isso não impedia de tecer com exatidão. Trabalhava duro sem saber o que de fato viria em troca.
Imagina se ela pensasse sobre o caos urbano do outro lado do muro? Se imaginasse o desequilíbrio ecológico que compromete sua vida, de suas presas e todo ecosistema? Mas ela não se abatia. Fazia sua parte sem parar para ficar deprimida, não esperava sentada pois tinha dentro dela uma grande sabedoria.
Creio que se a aranha ficasse parada, morreria não só de fome, mas com seu próprio material ôrganico que usa para fabricar as teias, ela veio ao mundo com uma função (ou missão) e se não exercesse morreria de qualquer jeito; cheia de si mesma! Nesse momento percebi o que de fato busquei aprender ali. Quem não move energias em prol de alguma ideia ou ideal, acaba morto de dentro pra fora – cheio de si mesmo! O acaso não acontece para quem fica parado!!!
Janara Morenna

Pós globalização – A paixão descartável.


Antes era a caverna, macho, fêmea e as necessidades. O macho tinha que ser um líder. Inteligência, força e estratégia eram requisitos que quando somadas, era signo de poder. Pra mulher, lindas formas de violão - para gerar a prole e consagrar a perpetuação dos homens. O que (não) mudou?
Explico; Os homens mais inteligentes, ainda garantem a melhor caverna; que protege seus descendentes e os mais fortes (não falo apenas de músculos - mas de neurônios) sobrevivem mais. As gostosonas possuem um quadril largo o bastante pra ter uma ninhada grande e os seios fartos para garantir os alimentos dos pequeninos- futuro da nação.
Continuo misturando as estações e falando da mesma coisa. Do poder.
Poder é isso. O que você tem que me interessa? Ta no mesmo nível? Porque existem vários tipos e tamanhos de cavernas e quadris. Ta, entendi. Darwinismo... Mas... mas e o amor?
Bom, o amor há quem diga, é só ilusão. Os mais pessimistas afirmam que são combinações de fatores (psicológico, químico e instintivo). Dizem que nossa mente cria uma estratégia para nos enganar e todo o corpo responde com seus sinais palpitantes – das pupilas que dilatam ao coração, perna e mãos, tudo fica vulnerável, trêmulo e esquisito. Quando isso ocorre, uma onda de calor sobe e lá em cima chama o racional, que por vez tenta explicar, mas logo desiste e sugere; “olha que meigo! Que coisinha fofa, você está apaixonado(a)!!!” Daí pra frente são só estrelinhas e suspiros até que... Até a realidade vir e começar a questionar.
Essa é a parte pior. Junta um monte de fator cabecice para atrapalhar (com desculpa de organizar) tudo. Pretensão... Ter certeza se é o caso? Que caso? Se foi tudo obra da natureza sabia e marketeira. A partir daí nada se encaixa. Os textos vão de encontro aos ideais contextos. Quando superada toda crise, histeria, medo, ciúmes, intensidade e contramão.. Uffa! Os dois decidem abandonar os perigos da selva e fazem como seus pais -vão pra caverna pra “construir”.
No começo, quando existe pureza ou pelo menos algo de nobre na intenção, as coisas vão fluindo. A paciência ainda atua, os territórios ainda não estão delimitados e as novidades vão chegando (junto todos os problemas da vida diária, os dias de caça, as responsabilidades, o leão, a crise mundial, os dramas psicológicos e as mutações normais ou fatais que todos sofremos).
Eis que me surge uma pequenina indagação pessoal: Como faziam antes, sem terapia de casal ou shopping mall !?
Me pergunto sobre o tema acima. Era para falar sobre paixão descartável! Falei demais vou ter que resumir; Essa paixão é um consumo como qualquer outro e ponto. (por isso citei o shopping, nada mais justo quando um “comércio cura outro”). Até aqui nada especial - tudo já foi visto, copiado, reeditado... É, eu sei, a vida fica um tanto vazia. Sem contar que hoje em dia, a caça é muito mais importante pra sobrevivência, daí, as pessoas se ocupam em conquistar suas cavernas dos sonhos e todos os itens complementares. E o amor ou vazio? Esses, são agora lacunas prontas a serem preenchidas estrategicamente pela natureza ou (ir)razão humana. Como? Encontrando pares compatíveis ou se contentando com os restos. Tudo isso só pra sentir a tal combustão psico-química.
Quando o milagre ocorre os humanos deixam a natureza levar, assim se sentem “vivos” e cheios de energia. Claro, estão movimentando o circulo de seus antepassados - fazendo o dever de casa, ou quase, pois, logo enjoam do joguete chato e complicado e voltam pros seus umbigos porque na telinha da TV não tem chateação (“qualquer coisa congelo meu útero, esperma ou faço pós doutorado”).
Nesse paradigma frustrante do vazio, surge o fast- commerce (ah sim o estímulo que precisávamos!) com slogans cheios de promessas tais; "Temos o par perfeito pra você!" ou ainda: “suprimos seu buraco com a maior quantidade e variedade possível” e seguem exemplos: 1. Dez beijos na micareta pros menos favorecidos intelectualmente.
2. De dois à quatro (seletos) na night de play - para os machos donos de cavernas grandes.
3. Dezenas nos eventos pão e circo ou carnavais.
4. Diariamente no meio social com um joguinho aqui outro acolá (dependendo da aptidão consegue-se mais) e vai cotizando...
Até que o comércio revoluciona e cria o costumer- service. Funciona assim, você entra num universo paralelo e com os dedos vai escolhendo caras, bocas, textos, (pseudo) afinidades e vai adicionando... Daí você cria uma rede com centenas, até milhares e vai tentando a sorte. Esse joguinho é mais interessante, porque no final você pode comparar os resultados, cruzar dados etc. Uma boa dica para os inseguros porque dá uma sensação de rei da selva, afinal não é esse o objetivo? lembra, o poder...
Ta achando que acabou? Que nada, depois disso o vazio volta. Ai ai... (que saco!) nem fazendo coleção é garantia de satisfação. O jeito então é falar mal das conquistas ou o oposto; se gabar exibindo-as pros outros e no desespero fingir que sente e acreditar no que finge - dizem que os poetas são bons nisso!
Conclusão: Nenhuma. Na verdade, pessoalmente, tenho esperança que os efeitos sejam amor mesmo. Por exemplo, há os que conseguem se enfiar na caverna, dizem uns especialistas otimistas, e desses, uns 10% sobrevive. O resto é morto, sugado, engolido, vampirizado ou descaracterizado.
Alguém aí ta apaixonado?
Texto: Janara Morenna