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domingo, 8 de abril de 2012

salvo ou não salvo?


Momentos de criação

Salvo ou não salvo?
Salvo o blog das palavras? Mesmo mudando o repertório?

Acordei com fome de algo que eu não sabia o quê. Sou dessas que obedece os impulsos naturais e tenta “mimar” meus desejos mais primitivos: comer.
Analisando a geladeira, que ótima terapia, olhava para cada item com calma, e então, após “satisfazer a última necessidade”, que se chamava “doce”, voltei para minha deliciosa cama... Eis que percebi outra necessidade... A de pensar. Se contrapondo a outro tipo de necessidade, aquela que é real, vêm da razão, me deparei com um conflito; preciso dormir porque quero acordar cedo, mas não consigo frear o impulso dos pensamentos que veem e que, como em relâmpagos, me fazem entender alguma coisa de antes ou suspeitar alguma outra coisa de algo que eu não sei o que é.
Comecei a pensar no meu sonho; por que aquelas pessoas, por que faziam o que faziam, e enquanto isso, tudo se embaralhava... e um outro pensamento que se sobrepunha dizia:  a única verdade mesmo é piegas, eu só sei que não sei de nada mesmo. Sou (e somos) um “nadica”... Não podemos ter nenhuma arrogância (!!!).
 Tudo que eu achava que um dia eu sabia, no outro vejo alguma Verdade maior que faz com que o que eu sabia seja reduzido a pó... Nessas horas tenho até vontade de excluir esse blog.
Esse blog começou como um lugar onde eu poderia continuar minhas “buscas”, sim, no sentido popular, esse termo “buscadora” significa alguém que procura sempre entender a vida sob um paradigma que a eleve a uma iluminação pessoal... Existem mil maneiras de explicar o que é ser uma buscadora, mas acho que posso reduzir tudo a alguém que procura conforto. Sim, tais inquietudes (existenciais) são às vezes tão apavorantes, que o mais fácil  é procurar através de razões, as desculpas para cada coisa de errado ou estranha que acontece no nosso dia a dia.
Ao longo de 30 anos, acumulei muitas inquietudes – sei que isso não mudará, sou uma curiosa faminta, esfomeada... Eu achava, não sei por que, mas suspeito de vários fatores (adiante narrarei), que eu tinha que entender o mundo. Deparei-me com um contexto curioso, cresci convivendo com um filósofo, um intelectual que apesar de péssima pessoa, mau, bruto... Era muitíssimo culto e inteligente (sim, muito contraditório mesmo, ah, ele também era geminiano...). Tive também um avô postiço, pai do meu “pai-drinho”, aquele que representava o pai no sentido nobre da palavra, esse avô era jornalista e escritor. Tinha em sua casa somente estantes recheadas com livros, mal se podia ver as paredes, ele leu até a sua morte em ritmo constante, por vezes, relia o mesmo livro várias vezes, pois estava “esquecido”.
Ambos “curtiam” de tudo e nesse tudo vinha muita coisa do mundo de lá (ou que pretendia explicar). Dos fenômenos empíricos, experimentalistas ao culto a magia...de templários aos pais da psicologia...
Dentro da minha subjetividade surgia uma certa pessoa, que mal sabia suas referências, ouvia que seu nome diferente era indígena. Sua história “diferente” era totalmente mística, sua origem também... Isso tudo se misturava com suas atividades também estranhas... Sonhos reais, pré-munições, o hábito de se isolar do mundo – mas descrevê-lo em ilustrações e pinturas, e a vontade de ler ou conversar com pessoas muito mais velhas, desde muito pequena. Lógico que essa pessoa cresceu confusa e teve muitos problemas de auto-aceitação ou de ser aceita em seu meio social.
Felizmente o tempo passou – e nada é para sempre... Mas a sede de tentar “achar” e de me mimar continuou. Hoje consegui conquistar uma etapa em que terei oportunidade de elevar meu conhecimento a um estágio que jamais pensei, e com incentivos, pois desta vez é algo formal, ou seja, estou inserida em um contexto social ao qual tenho subsídio para prosseguir, seguindo claro, muitas e muitas regras.
Aprender filosofia, entender a constituição do mundo – de forma mais profunda, conviver com mentes férteis e ter motivos para me esforçar no sentido de abarcar todo esse mundo do conhecimento clássico e ainda do que há  por vir, não preciso dizer que é “perfeito”, mas tem um preço: saber que o mundo é uma cortina que precisa ser removida causa angústia.
Tenho tanto o que aprender.... Saber que tudo o que eu vi, li e apreendi pode ser nada perto de grandes verdades muito mais profundas, que para eu entender, preciso ir muito mais além, o que causa um sentimento de impotência e frustração, claro, misturado com (muita) ansiedade e vontade de possuir dias com 50 horas.
Diante de tudo isso que acontece dentro, o impulso de levantar e colocar nessas letras o que a mente não deixa traduzir legitimamente, é um exercício que requer clareza de ideias e muito senso crítico... (mas eu precisava dormir para acordar cedo, tenho que pedalar antes de estudar, diz o racional).
Aqui estou, diante de um paradoxo, tudo que eu disse nesse blog, quando olho sua construção, mal sabia onde queria chegar, e hoje sei que está longe de eu saber para onde ir, só sei que de frases de auto ajuda, vou passar por Lacan, Freud, Nietzsche, pelos gregos, pelos mitos, pelos modernos...Mas que seja sem PRETENSÃO alguma (repito que sempre foi, basta ler sua introdução, ao lado da ilustração), somente com o objetivo (se é que posso chamar de objetivo) do registro.
Se assim um dia servir como âncora para respostas às minhas manifestações mais íntimas, então eu saberei que tive sim um objetivo e que este se cumpriu (ou não) com a continuidade deste blog, que visto e revisto por mim, por outros, e também (ou principalmente) pelos medíocres que buscam entender a mim, (o outro) e não a si próprios - esses sim, nunca me entenderão, eu os desapontarei sempre, pois mesmo parecendo, mesmo sendo óbvio que toda a essência está aqui, eu digo que não! Isso é menos que um fragmento, e segue uma linha, mas são muitas as linhas....Em outras palavras: Eu não estou aqui!
Para fechar me coloco em outro paradoxo, um que nunca entendi, somente a explicação da astrologia “deu conta”:  é o de como eu não consigo sentir ódio/raiva/ etc., pelos infelizes que passaram trazendo angústias e sofrimento? Na astrologia dizem que para o pisciano esse mundo é tão irreal e nada menos que um estágio, uma escola para o que está por vir, que assim sendo, os piscianos são os últimos do zodíaco, a última encarnação aqui , carregam um pouquinho de cada signo, e é por isso que se tornam seres altamente compreensivos e alheios à realidade objetiva, preferindo sempre “entender” as dimensões subjetivas para justificar a má conduta alheia, trazem para o campo do aprendizado, do crescimento espiritual, etc.
Na filosofia budista há uma similaridade: a  pessoa que te  causa o mal estar, na verdade não é ela, e sim “a maldade”, que cumpre uma função que para nós (no fim) é positiva, pois nos serve para análise, entendimento e consequentemente nossa evolução. Ou seja, temos que entender o porquê daquilo que ocorre dentro de nós... E se entendemos, esses padrões deixam de aparecer na nossa vida.
Assim sendo me vejo muito pisciana e muito budista – mas isso não quer dizer que eu esqueça os fatos negativos passados, não, nesse caso aprendi com uma ciência chamada Logosofia, que: “recordar o bom para alentar a alma e o mal para adestrar o juízo”.
Agora acho que conseguirei voltar a dormir! Bons sonhos!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os Encantos da Filosofia Budista - Para Iniciantes


Simples e direta a explicação sobre o Karma dessa publicação:

Os Encantos da Filosofia Budista - Para Iniciantes


O poder da Lei Mística transforma o carma

Edição 2069 - Publicado em 29/Janeiro/2011 - Página Carma
Origem do termo
A palavra “carma” deriva do sânscrito “karma” e significa “ato” ou “ação”.
Realização ou resultado
Quando o budismo foi transmitido para a China, esta palavra foi traduzida utilizando o ideograma chinês ye (go, em japonês), que significa “ato” no sentido de realização ou resultado.
O que dizia
Na Índia, o conceito ganhou força até mesmo no antigo pensamento indiano. As pessoas acreditavam que as circunstâncias do renascimento eram determinadas pelos seus atos bons e maus, ou seja, por seu carma.
Observe
O termo “carma” originalmente se referia tanto aos atos bons quanto aos maus. Mas, ao longo do tempo, passou a aplicar-se de maneira generalizada no sentido negativo. Talvez isso ocorra porque as pessoas têm mais dificuldade de esquecer os eventos negativos.
Tema religioso
Dessa forma, a transformação do carma negativo tornou-se um dos temas religiosos mais importantes.
Hoje
Devido à visão fatalista incorporada ao longo do tempo, atualmente, para as pessoas, o conceito de carma é mais facilmente entendido como “destino” ou “sorte”.
Pode mudar?
No entendimento popular, a sorte ou o destino não podem ser mudados. Então, como fica o destino de um país, de uma pessoa ou da humanidade? Será que ele é passível de mudança?
Desejo universal
Em contradição, mudar o destino ou a sorte é o desejo universal de todas as pessoas. Por isso, supostamente, para encontrar resposta a essa questão surgiram os movimentos filosóficos e religiosos, incluindo aqui as grandes religiões mundiais.
Passividade
Atualmente, mais e mais pessoas não aceitam a ideia de que alguma força superior ou divindade tem o poder de controlar seu destino. Isso acontece porque, quanto mais absoluto for o conceito de que uma força superior ou divindade controla o destino, mais passivas as pessoas se tornarão e mais insignificante parecerá sua vida.
Antes do budismo
Na Índia antiga, antes do surgimento do budismo, a ideia do carma era igualmente vista como absoluta, a ponto de acreditarem que as pessoas poderiam se libertar do ciclo de renascimento produzido pelo carma somente por meio de rituais religiosos executados pelo clero.
Florescimento do budismo
Essa pode ter sido uma razão importante para o subsequente florescimento do budismo. Esse ensino libertou as pessoas da visão absolutista do carma ou destino, e enfatizou o poder do livre-arbítrio. Ensinou que tanto a formação como a libertação desse carma dependiam exclusivamente da vontade e dos atos da pessoa.
O caminho do budismo
Por isso, o budismo é conhecido como o “caminho interior” em oposição ao “caminho exterior”, um termo usado para designar os ensinos não budistas.
O Budismo Nitiren
A essência do Budismo Nitiren está em ver o carma como responsabilidade de cada pessoa. Esse é o significado de “caminho interior”. Mas os ensinos provisórios ou pré-Sutra de Lótus interpretaram este princípio de maneira equivocada.
Sutra de Lótus
O Sutra de Lótus é o ensino que liberta as pessoas fundamentalmente das amarras do destino por defender que todos possuem a natureza de Buda inerente. Quando se entende a doutrina da transformação cármica exposta no Sutra de Lótus, enxerga-se claramente o poder benéfico do Budismo de Nitiren Daishonin com relação a esse princípio.
Determinismo do carma
A visão do Sutra de Lótus sobre “expiar as ofensas” difere fundamentalmente daquela dos ensinos pré-Sutra de Lótus. O reconhecimento do livre arbítrio é uma das características mais distintas do conceito budista de carma. Entretanto, não se pode negar que, ao longo dos séculos, depois da morte de Sakyamuni, essa base primordial foi sendo esquecida, e o que passou a predominar foi uma ideia mais determinista do carma.
Por exemplo
Assim, era dito para as pessoas que elas vinham acumulando um número incalculável de faltas e más ações de suas existências passadas até o presente. Isso, naturalmente, faziam que se sentissem impotentes, sem esperanças, incapazes de erradicar um carma tão pesado.
Esta visão está errada
De acordo com a visão geral do carma, é impossível transformar e erradicar todas as causas ou o carma negativo que acumulamos ao longo de muitas existências, e que o máximo que podemos esperar é reduzir pelo menos uma pequena parcela desse saldo negativo que carregamos conosco, nas profundezas de nossa vida. Mas, enquanto isso, no decorrer dos dias, continuamos a acumular mais carma negativo decorrente de nossas ações e, presos a esse ciclo, acabamos desenvolvendo uma mentalidade pessimista e impotente.
Como surgiu a visão equivocada?
Acredita-se que, em parte, teria sido por causa da intervenção de alguns clérigos corruptos. Em muitos casos, eles declaravam que as pessoas eram prisioneiras de seu carma e que somente o clero poderia erradicar seus maus atos do passado. Eles usavam sua autoridade religiosa como um instrumento de intimidação. Esses sacerdotes enfatizavam que o ser humano era uma criatura pecadora por natureza. Mas, na realidade, eram eles próprios os maiores pecadores que poderia haver.
Conclusão I
O Budismo Nitiren opõem-se às tendências desses ensinos errôneos. Ensina que podemos transformar nosso carma negativo completa e definitivamente. Esta é precisamente a razão de Daishonin ter enfocado a questão do carma.
Conclusão II
O que liberta as pessoas de seu carma ou destino é a clara revelação de que é possível transformá-lo. O budismo explica o carma para mostrar como transformá-lo. Em outras palavras, sustentar a doutrina do carma sem esclarecer devidamente a forma de transformá-lo é interpretar o Budismo de maneira equivocada. Esses ensinos só contribuem para que as pessoas continuem prisioneiras dos grilhões do carma.
Conclusão III
Outra característica distinta do Budismo Nitiren com relação ao carma é seu foco intenso e rigoroso no indivíduo ou no “eu”. Ensina que cada pessoa deve refletir profundamente sobre seu carma e esforçar-se para mudá-lo, empregando o poder da Lei Mística que todos possuem inerentemente.

Os Encantos da Filosofia Budista - Para Iniciantes


Carma - parte 2

Edição 2070 - Publicado em 05/Fevereiro/2011 - Página A6

O significado da transformação do carma

Três categorias de ação
São: pensamentos, palavras e ações. Por meio das três, o carma é formado. De um outro ponto de vista, a vida de uma pessoa define-se pela forma como ela pensa, fala e age.
Carma são valores
Carma, portanto, são os valores de uma pessoa. Esses valores que partem do coração são os que definem a vida. E eles não desaparecem com a morte. Por isso, é tão importante ficar atento ao “tesouro do coração”.
Carma e Chakubuku
Mudar o coração de uma pessoa é modificar o próprio carma. Por isso, o Chakubuku é a verdadeira prática da transformação cármica. Tal prática transforma tanto o coração do apresentador, que se esforça em fazer alguém feliz, quanto do convidado, que se torna feliz, ao superar seu sofrimento apoiado pelo apresentador.
Carma é energia
Essa energia cármica só é superada pela energia vital do estado de Buda. Tal energia é absoluta e não sofre influência do carma; pelo contrário, o influencia.
A energia vital
A energia vital do estado de Buda é absoluta porque se baseia em valores universais. Um buda é guiado pelo supremo valor da dignidade da vida. Ou seja, um valor universal, inerente a tudo e a todos e que nunca muda. Os seres humanos possuem esse valor no âmbito mais profundo do seu ser. Basta, apenas, torná-lo manifesto.
Vida e morte
Com relação à vida e à morte, pode-se afirmar que a “vida” é quando a energia do carma assume uma forma fixa; e a “morte”, é quando a vida deixa de ser forma e torna-se una com a vida do Universo como um fluxo de pura energia.
A influência das ações
O presidente Ikeda comenta: “O que continua após a morte? A conclusão de Sakyamuni é que o carma continua. Nossas circunstâncias na presente existência são o efeito de nossas ações passadas (carma), e nossas ações no presente determinam as circunstâncias de nossas ações no futuro. Ou seja, a influência de nossas ações prosseguem de uma existência para outra, transcendendo a vida e a morte. Essencialmente, é a energia do carma que continua além do nascimento e da morte”. (Brasil Seikyo, edição no 1.520, 21 de agosto de 1999, pág. 3).
Uma visão interessante
A energia cármica não se limita apenas ao indivíduo, pois ela interage com a energia cármica dos outros. Numa dimensão interior da vida, essa energia cármica latente funde-se à energia latente da família desse indivíduo, do grupo étnico e da humanidade. Da mesma forma, funde-se com a energia dos animais e das plantas.
Voltando ao ponto
O que liberta uma pessoa de seu carma é quando ela sabe como transformá-lo. Esse saber é a sabedoria do Buda que iluminará todos os pensamentos, palavras e ações. O Budismo explica o carma para mostrar como transformá-lo.
Para mudar o carma
É preciso manter os olhos fixos na própria vida. É estar disposto a mudar o próprio coração, os próprios valores. Em outras palavras, é a revolução humana.
Enfrentando o carma
Para tanto, ao fazer um juramento de manter a vida na órbita do Buda e enfrentar as dificuldades, é necessário um coração repleto de energia vital. Em outras palavras, é necessária uma firme fé na própria natureza de Buda.
Iluminação
Sobre isso, o presidente Ikeda orienta: “Quando enfrentamos nosso carma diretamente, podemos evidenciar nosso potencial para a iluminação. Não limitamos também nossa atenção ao carma pessoal. Quando nos libertamos das amarras do carma, precisamos nos dedicar em ajudar outras pessoas que também estão sofrendo a fazerem o mesmo. Em última instância, precisamos prestar atenção à tarefa de transformar o carma de toda a humanidade. Este é o caminho para a iluminação de si próprio e o de outros. Ao mesmo tempo em que nos empenhamos para transformar nosso próprio carma, ajudamos nossos amigos a transformarem o seu também. É para essa finalidade que existem as atividades da SGI. Este é o caminho fundamental e correto da prática budista”. (Terceira Civilização, edição no 433, setembro de 2004, pág. 18.)
Firme fé
A forma de colocarmos em prática a “firme fé em nossa própria natureza de Buda” é realizando o Chakubuku.
Conclusão
“Nós não focalizamos nosso carma somente para saldar nosso ‘débito cármico’ e fechar o balanço em zero. Nosso objetivo é transformar nossa ‘conta negativa’ num grande ‘saldo positivo’. Este é o princípio da transformação do carma no Budismo de Nitiren Daishonin. E é a natureza de Buda existente na vida de todas as pessoas que torna isso possível. O desafio de transformar o carma é sustentado pela firme fé em nossa própria natureza de Buda.” (Ibidem).